Encontro

Hoje é o dia do encontro.

 

Estou um pouco ansiosa e até julgo que nervosa e não fosse a minha tendência natural para descontrair talvez até fosse capaz de estar um pouco histérica.


Acordei bem, mas um pouco lento se pensar que está calor e um sol que ilumina com tanta clareza o quarto. Eu tenho aquele metabolismo fixado na luz solar e na luz lunar, guardo para mim os extremos. Gosto de ser assim, sol e lua num mesmo corpo.


Neste momento estou numa esplanada, a gozar de forma única o calor que sinto, aguardo o momento. Talvez a espera venha a ser maior do que eu tinha ponderado, mas o certo é que estou a apreciar. E aproveito para treinar as emoções que posso sentir. A raiva pelo tempo que não tive, a tristeza pela falta de algo ou ainda a frustração por não ser exactamente como eu imaginei e vou guardando no estômago as sensações, no corpo o trepidar. E começo gradualmente a entrar num estado tal, que as pessoas já estão preocupadas comigo. Eu não digo que isto é previsto, que está no guião da minha procura. Assim, vou deixando que o meu estado lhes chegue e vou medindo a condição em que ficam. É brutal, ver que aquilo que parecia ser calma, se transforma em irritação, ansiedade, preocupação e tudo apenas porque eu decidi fazer uma experiência.


“Lígia, tem que entender que as pessoas vão atrás de si”, disse-me alguém e eu na altura disse: - “É, eu sou mesmo importante, quem diria que a culpa de tudo é minha…”


Hoje, engraçado, estas palavras não me fazem sentido, muito embora eu tenha a certeza que as disse. Hoje, no dia agora, eu digo que sim, sou importante e tenho responsabilidade pelo que acontece à minha volta e mais poderoso ainda, eu posso fazer algo para mudar!


Repararem, bastou em alterar o meu comportamento, aplicar uma voz num tom mais alto, colocar a minha cara em posição de irritação (estão a ver como é, abrir bem os olhos, fincar os lábios para que se tornem finos e depois gesticular e gesticular) para que as pessoas que estavam na mesma esplanada que eu, tivessem elas também, sem contarem, alterações de comportamento e estas pessoas nem sequer me conhecem. Fabulosamente poderoso, não acham?


Desta forma, o encontro foi conseguido e afinal não tão demorado como eu tinha antecipado. Encontrei mais recursos, mais de mim numa experiência de esplanada. E assim vós digo que ser fada é fácil, e os feitiços estão em nós….vamos tudo enfeitiçar?

publicado por Momento de Mudança às 12:53 | comentar | favorito