27
Jul 10
27
Jul 10

Encontro

Hoje é o dia do encontro.

 

Estou um pouco ansiosa e até julgo que nervosa e não fosse a minha tendência natural para descontrair talvez até fosse capaz de estar um pouco histérica.


Acordei bem, mas um pouco lento se pensar que está calor e um sol que ilumina com tanta clareza o quarto. Eu tenho aquele metabolismo fixado na luz solar e na luz lunar, guardo para mim os extremos. Gosto de ser assim, sol e lua num mesmo corpo.


Neste momento estou numa esplanada, a gozar de forma única o calor que sinto, aguardo o momento. Talvez a espera venha a ser maior do que eu tinha ponderado, mas o certo é que estou a apreciar. E aproveito para treinar as emoções que posso sentir. A raiva pelo tempo que não tive, a tristeza pela falta de algo ou ainda a frustração por não ser exactamente como eu imaginei e vou guardando no estômago as sensações, no corpo o trepidar. E começo gradualmente a entrar num estado tal, que as pessoas já estão preocupadas comigo. Eu não digo que isto é previsto, que está no guião da minha procura. Assim, vou deixando que o meu estado lhes chegue e vou medindo a condição em que ficam. É brutal, ver que aquilo que parecia ser calma, se transforma em irritação, ansiedade, preocupação e tudo apenas porque eu decidi fazer uma experiência.


“Lígia, tem que entender que as pessoas vão atrás de si”, disse-me alguém e eu na altura disse: - “É, eu sou mesmo importante, quem diria que a culpa de tudo é minha…”


Hoje, engraçado, estas palavras não me fazem sentido, muito embora eu tenha a certeza que as disse. Hoje, no dia agora, eu digo que sim, sou importante e tenho responsabilidade pelo que acontece à minha volta e mais poderoso ainda, eu posso fazer algo para mudar!


Repararem, bastou em alterar o meu comportamento, aplicar uma voz num tom mais alto, colocar a minha cara em posição de irritação (estão a ver como é, abrir bem os olhos, fincar os lábios para que se tornem finos e depois gesticular e gesticular) para que as pessoas que estavam na mesma esplanada que eu, tivessem elas também, sem contarem, alterações de comportamento e estas pessoas nem sequer me conhecem. Fabulosamente poderoso, não acham?


Desta forma, o encontro foi conseguido e afinal não tão demorado como eu tinha antecipado. Encontrei mais recursos, mais de mim numa experiência de esplanada. E assim vós digo que ser fada é fácil, e os feitiços estão em nós….vamos tudo enfeitiçar?

publicado por Momento de Mudança às 12:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
20
Jul 10
20
Jul 10

Tem dias....

Tem dias que queria ficar deitada e tenho a sensação que me levanto sem autorização do resto do meu ser e lá vou…mas eu queria ficar deitada!


Olhar para alguém que eu nunca vi e ter a sensação que já vi e preferia não ter visto. Muito complexo, eu sei! Mas de facto aconteceu-me hoje. Sentei-me numa cadeira em que decidi que não me queria encostar, por ter apreendido após um movimento que outra escolha me poderia dar uma valente queda no chão.

 

Do outro lado do computador deveria estar um ecrã, pois o meu interlocutor poucas vezes colocou os seus olhos em mim. E com um suor estranho a cair da teste me foi fazendo perguntas, daquelas que parecem tontas, mas que afinal são ensaiadas nas faculdades para ser doutor.


- “O que viu ….”

- Tanta coisa, e ainda aquelas que eu não me lembro de ter visto…o que especificamente quer que lhe conte? Disse-lhe eu, escolhendo um tom de brincadeira.

- Tudo!

- Tem tempo?

E ao nosso lado um senhor olhava para o jogo em que a bola rodopiava em cima da mesa. Mas num momento parece-me melhor parar e dar a resposta  que ele esperada e lá contei o que sei que ele gostaria de saber.


Para todos os que deixaram de lembrar a primeira frase, eu recordo que eu queria ficar deitada!


E lá foi a nossa conversa, ou monologo, ainda não entendi! Mas o facto é que eu conversei com as costas de um computador preto, que ainda por cima não dava o meu reflexo, se não tinha-me entretido a mexer no cabelo e ver como ficava. A sensação era que se estivesse calada a vontade de me ouvir iria aumentar e então, de vez em vez calava-me para como que obrigar a que me fossem colocadas perguntas. Afinal eu podia contar tanta coisa, que talvez eles não quisessem ouvir ou eu dizer!


Sai mais pobre do que entrei, pois tinha deixado algumas palavras lá dentro e ainda mais algumas convicções. E isso fez-me sentir mais pobre.

Uma sensação estranha que aquilo que eu tinha dito só dali a umas horas ia fazer sentido para aquelas duas pessoas que me questionaram queriam saber se eu tinha ficado com má impressão das pessoas.


E se eu lhe disse-se que as pessoas não são o seu comportamento. Respeita a pessoa e muda o comportamento…não disse porque escolhi não dizer. Escolhi que aquelas pessoas iriam ouvir isso mas de outra forma e eu vou esperar por essa forma tempo.


E assim fiquei deitada, sem me mexer olhando os pássaros e as minhas pernas a brincar à apanhada sem dizer nada, calada, muda como se a língua não fosse para utilizar.

publicado por Momento de Mudança às 11:21 | comentar | favorito
13
Jul 10
13
Jul 10

Quando o mundo aparece....

Quando o mundo aparece….

 

Tenho neste momento a prefeita noção que estava morta, quanto mais não fosse por dentro, na alma, no desejo, na vontade de…Eu sou fogo, luta, conquista, alegria e vivacidade. Quem me conhece há muito sabe que eu abano o mundo para ver cair a injustiça, para conseguir uma coisa boa, que adoro festas, que adoro dançar, que adoro encontros e desencontros!


O mundo apareceu pouco tempo de depois de abrir os olhos e largar o cordão umbilical e abalar as minhas certezas. Deixei que ele se iluminasse e vi que de facto nascer é um pouco doloroso, mas vamos andando e conquistando o território que depois é nosso, e o meu, eu queria  grande, colorido e feliz.

Aprendi a voar com a minha filha que me ensinou que basta fechar os olhos com muita força, abrir os braços e deixar o corpo ir. Vemos as nuvens, falamos com os pássaros e somos pessoas melhores. Aprendi com ela, que se calçar os sapatos dos outros posso ser mais feliz comigo e com os outros, e então ela calça os meus e eu calço os dela, mesmo que apenas dois dedos coíbam de facto dentro deles, é bom sentir cada pulo que ela dá, cada sonho que trás em si.

Posso dizer que aprendi a falar, que aprendi a comer, aprendi muita coisa em tão pouco tempo. Desaprender nunca mais! Gosto de manter consciente este meu caminho, pois algumas pedras ainda me ferem os pés e eu tenho que conquistar a plenitude da travessia.


É quase assustador pensar que a minha mente se abriu tanto que nada me parece longe, nada me impossível. A consciência de que tudo é decisão minha, faz com que utilize um estado até ao momento em que o mesmo me é necessário para o resultado que eu pretendo. Isto é, não me desgasto até ao ponto em que me transformo em alguém que não quero ser, não grito ao ponto de perder a voz para depois não poder dizer mais nada. Uso apenas o necessário, e estou mais bonita assim, mais feliz, mais eu….e tudo parece que corre!


Corre para onde eu quero! E o que eu quero faz os outros felizes, porque as pessoas fazem parte desta minha conquista, desta minha busca de satisfação.

publicado por Momento de Mudança às 16:01 | comentar | favorito
07
Jul 10
07
Jul 10

O caminho que criei!

O dia seguinte….Acordar foi sossego, descanso e muita vontade! Vontade de algo, de muito, de tudo. Calçar as sapatilhas e vestir roupa de treino era bom e eu queria mesmo voltar aos tempos em que tinha orgulho de mim, em que olhar para o espelho era olhar para um ser bonito e, de facto, existia algum tempo que isso não acontecia! Os meus percursos nunca eram os mesmos, queria quebrar uma rotina tão intensa, andava sozinha por caminhos desconhecidos e sem a preocupação de encontrar sempre o melhor caminho. Procurava os caminhos mais íngremes, mais acidentados durante aquela hora que era minha, das minhas pernas, da minha barriga, do meu corpo. Pois a mente voava, ia e vinha sem dar sinal de estar perdida…mas estava, agora sei que estava! Durante uma hora eu sentia a cabeça vazia, como se não houvesse nada para depois, nada que realmente fizesse sentido, mas os pés andavam, rodopiavam e iam sempre para algum sitio. Parecia que me queriam levar, e levavam!


Deixei cair a mascara! Tive momentos que até fez barulho tal força com que foi recebida a sua queda, mas sempre um sorriso se abria para mim. Descobri novas pessoas, dei carinho a quem mo pedia e lutei por quem queria do meu lado. Adoro falar com estranho, muito embora tenha que lutar com a minha timidez, mas adoro e agora faço-o!


Fiz alguns momentos desaparecerem da minha memória, deixei que não fossem importantes para mim. Tornei-os apenas caminho, asfalto que sei que percorri mas não decorei, não senti nos pés. E deixei alguns a que atribuí a importância que deveriam ter:  “tu és um anjo”, disse-me uma pessoa especial. São esta palavra que revejo vários dias, várias vezes ao dia. Estas palavras fazem-me voltar de cada vez que por um motivo ou outro me deixo ir. Sei agora que uma decisão é poderosa e que não se resume a um momento, que fica para trás. Ela vai até ao presente e permanece ali, à espera que lhe abram caminhos, possibilidades!


Agora sei que não era amor, sei que não era nenhum sentimento aquele que guardava mas um ilusionismo que criei, com muita magia, com muita história e que agora eu tinha descoberto o truque e tinha perdido toda a piada.

Quero ser anjo, fada e fazer feitiços e ser mágica (pois essas existem)!

publicado por Momento de Mudança às 15:51 | comentar | favorito
02
Jul 10
02
Jul 10

O que eu fui

“Sorrir merece a pena”

 

7h00 e com o coração aos saltos e borboletas agitadas no estômago. Mas a decisão estava tomada! Queria deixar para trás 8 anos de carreira.

Quando me sentei na minha habitual cadeira, e com o computador aberto, coloquei em dia todos os e-mail's que estavam pendentes por falta de capacidade de análise. Agrupei todos os meus papeis e com toda a certeza sentei-me e olhei nos olhos o, que passados 10m, era o meu ex-chefe. Sem dúvida que o tempo verbal me dá algum conforto.

O sentimento, talvez já alguns tenham experimentado. 50Kg fora das costas, de novo um andar elevado, elegante e mais importante que tudo! O nosso sorriso parece surgir de novo no rosto acabado, com rugas e cheio de mágoas agrupadas por tipologia de sentido. E melhor que tudo é que, sentido, não tinha nenhum!

Depois de todos os pormenores legais e jurídicos tratados, foi tempo de relaxar na cadeira e parar. Em 8 anos era a primeira vez que parava! Pode parecer difícil, mas é verdade. Ainda tive um laivo, ridículo, visto de aqui! : - “e os projectos que tenho para terminar?” Senti-me incomodada por deixar as minhas coisas a meio...mas depois! As minhas coisas! Não, as coisas deles...deles!

Levantei, andei por aquele espaço que visto por quem visita é inovação, bonito, agradável...tem dias, como diria alguém que eu bem conheço.

Foi muito bom olhar as pessoas com que passava os meus dias, mas agora com uns óculos de liberdade. De bem-estar! Descobri sentimentos em cada um deles. Uns queria guardar o meu coração e no meu telemóvel. Outros poderia nunca mais os ver, tal era a indiferença. Noutros vi pessoas que nunca tinha visto. Foi bom, estar ali sem ter que estar. Dizer adeus a todos os que me importam.

De longe, chega a ser frustrante sentir tantas coisas em tão pouco tempo e não ter todo o tempo do mundo para dizer. Afinal eu vivi ali a minha primeira experiência profissional. Tinha 26 anos quando iniciei a aventura de trabalhar nos Recursos Humanos. E que aventura!

Tudo teve inicio numa entrevista de Recrutamento e Selecção. E em nada parecida com a que tinha decorado no decorrer do curso de especialização de RH. Mas bem! Correu bem, e fiquei para fazer um estágio de 2 meses, na empresa que todos os meus colegas de curso queriam. Fiquei orgulhosa e senti que realmente era alguém especial.

Iniciei o meu estágio no dia 2 de Fevereiro de 2002. Cheguei cedo. Seriam umas 7h30, sendo que a hora de entrada era às 8h30. Mas estava já em mim, esta atitude. Afinal, desde criança que o meu pai, pessoa muito especial e sempre pontual. E foram 8 anos, assim a chegar sempre 60 a 30m antes da hora. Não me perguntem porquê, mas era estupidamente assim!

O meu orientador, era uma pessoa que estava na empresa há 2 ou 3 anos. Muita experiência, mas era um pouco frio e não me colocou imediatamente à vontade. Aliás foi difícil ficar à vontade durante um bom período de tempo. Mas trabalhávamos imenso. Com ele aprendi a ser rápida, orientada e muito focada. Mas o maior ensinamento que me deu, foi num dia em que viajávamos para Lisboa e sem qualquer tipo de momento preparatório me disse: - “ por mim não ficavas na empresa a trabalhar depois do estágio.” Não pode deixar de pensar, que é isto! A que propósito? Mas a frase que me saiu foi: - “mas porquê?” ao que ele respondeu :”Não sabes o que é trabalhar!” e eu devo confessar que o que recordo é ter ficado parada, calada! Chegamos a Lisboa onde tínhamos entrevistas marcadas e sem aviso disse-me que tinha que fazer eu a primeira entrevista! Se antes tinha ficado calada e um pouco assustada. Agora nem sequer pestanejei, peguei no curriculum e foi chamar a candidata. Claro que não escrevi nada, pois tremia tanto que tentar pegar na caneta e revelar o meu medo!

A minha reacção ao medo foi o ataque...

publicado por Momento de Mudança às 16:26 | comentar | favorito