Onde vejo fumo há fogo

Tenho dado conta que cada vez que vejo fumo, há fogo!


Esta realidade de dia para dia me causa mais ansiedade, mas para já não me transtorna. Até julgo que não a deixo por completo, porque me serve na hora da indignação pelo fogo posto.


Mas hoje guardei algum espaço mental para pensar no que poderá ser a intenção de quem coloca fogo nas florestas. E conversando com alguém que vem de uma zona que era sua na juventude, para onde podia ir brincar e tinha amigos que o deixavam pernoitar, hoje não encontra os mesmos amigos nas florestas interditas ao Homem porque são da humanidade. Que humanidade? (pergunta ele) Se aqueles que humanamente lá viviam foram postos de lá para fora. Eu decido aceitar esta sua abordagem como possível. E, então dou por mim a pensar: Será que a necessidade pode ser vivida através do atear do fogo. E que existem pessoas que por pobreza, por perda decidam que o atear fogo é uma decisão possível?


Então por partes:


1) existem realidades que eu não conheço;

2) existem intenções diferentes das minhas;

3) as acções são sempre antecipadas por uma escolha;

4) as escolhas são sempre boas se respeitarem a intenção;


Até aqui tudo parece funcionar, mas algo nesta receita não está ainda ligado. Pois, existe ainda a situação antiga e ainda vigente, “a minha liberdade acaba onde começa a do outro!” Certo, correcto diria melhor!


Vamos então introduzir um novo ingrediente: a ecologia da minha escolha, isto é até que ponto a minha escolha me respeita não só a mim como tudo que me rodeia. Introduzido este novo elemento a receita está completa:


5) as escolhas e acções devem ser ecológicas (respeitar-me e respeitar-te).


Assim, mesmo que algum dia uma má decisão administrativa tenha sido tomada, e que em si também não tenha respeitado a receita “aceitação das decisões do outro”, em nada obriga alguém a tomar uma escolha como possível como a de colocar em risco o meio ambiente e a vida de tantas pessoas.


As escolhas são feitas todos os dias por nós mesmo quando argumentamos que não decidimos (isso já é uma decisão), assim guarda a receita “Aceitação das decisões do outro” e olha para as tuas como se fosses outro e pergunta: Eu aceitaria esta escolha?


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publicado por Momento de Mudança às 10:54 | comentar | favorito