O que eu fui

“Sorrir merece a pena”

 

7h00 e com o coração aos saltos e borboletas agitadas no estômago. Mas a decisão estava tomada! Queria deixar para trás 8 anos de carreira.

Quando me sentei na minha habitual cadeira, e com o computador aberto, coloquei em dia todos os e-mail's que estavam pendentes por falta de capacidade de análise. Agrupei todos os meus papeis e com toda a certeza sentei-me e olhei nos olhos o, que passados 10m, era o meu ex-chefe. Sem dúvida que o tempo verbal me dá algum conforto.

O sentimento, talvez já alguns tenham experimentado. 50Kg fora das costas, de novo um andar elevado, elegante e mais importante que tudo! O nosso sorriso parece surgir de novo no rosto acabado, com rugas e cheio de mágoas agrupadas por tipologia de sentido. E melhor que tudo é que, sentido, não tinha nenhum!

Depois de todos os pormenores legais e jurídicos tratados, foi tempo de relaxar na cadeira e parar. Em 8 anos era a primeira vez que parava! Pode parecer difícil, mas é verdade. Ainda tive um laivo, ridículo, visto de aqui! : - “e os projectos que tenho para terminar?” Senti-me incomodada por deixar as minhas coisas a meio...mas depois! As minhas coisas! Não, as coisas deles...deles!

Levantei, andei por aquele espaço que visto por quem visita é inovação, bonito, agradável...tem dias, como diria alguém que eu bem conheço.

Foi muito bom olhar as pessoas com que passava os meus dias, mas agora com uns óculos de liberdade. De bem-estar! Descobri sentimentos em cada um deles. Uns queria guardar o meu coração e no meu telemóvel. Outros poderia nunca mais os ver, tal era a indiferença. Noutros vi pessoas que nunca tinha visto. Foi bom, estar ali sem ter que estar. Dizer adeus a todos os que me importam.

De longe, chega a ser frustrante sentir tantas coisas em tão pouco tempo e não ter todo o tempo do mundo para dizer. Afinal eu vivi ali a minha primeira experiência profissional. Tinha 26 anos quando iniciei a aventura de trabalhar nos Recursos Humanos. E que aventura!

Tudo teve inicio numa entrevista de Recrutamento e Selecção. E em nada parecida com a que tinha decorado no decorrer do curso de especialização de RH. Mas bem! Correu bem, e fiquei para fazer um estágio de 2 meses, na empresa que todos os meus colegas de curso queriam. Fiquei orgulhosa e senti que realmente era alguém especial.

Iniciei o meu estágio no dia 2 de Fevereiro de 2002. Cheguei cedo. Seriam umas 7h30, sendo que a hora de entrada era às 8h30. Mas estava já em mim, esta atitude. Afinal, desde criança que o meu pai, pessoa muito especial e sempre pontual. E foram 8 anos, assim a chegar sempre 60 a 30m antes da hora. Não me perguntem porquê, mas era estupidamente assim!

O meu orientador, era uma pessoa que estava na empresa há 2 ou 3 anos. Muita experiência, mas era um pouco frio e não me colocou imediatamente à vontade. Aliás foi difícil ficar à vontade durante um bom período de tempo. Mas trabalhávamos imenso. Com ele aprendi a ser rápida, orientada e muito focada. Mas o maior ensinamento que me deu, foi num dia em que viajávamos para Lisboa e sem qualquer tipo de momento preparatório me disse: - “ por mim não ficavas na empresa a trabalhar depois do estágio.” Não pode deixar de pensar, que é isto! A que propósito? Mas a frase que me saiu foi: - “mas porquê?” ao que ele respondeu :”Não sabes o que é trabalhar!” e eu devo confessar que o que recordo é ter ficado parada, calada! Chegamos a Lisboa onde tínhamos entrevistas marcadas e sem aviso disse-me que tinha que fazer eu a primeira entrevista! Se antes tinha ficado calada e um pouco assustada. Agora nem sequer pestanejei, peguei no curriculum e foi chamar a candidata. Claro que não escrevi nada, pois tremia tanto que tentar pegar na caneta e revelar o meu medo!

A minha reacção ao medo foi o ataque...

publicado por Momento de Mudança às 16:26 | comentar | favorito